1. DA DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA
A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser caracterizado de três modos: seja pelos conteúdos ou temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, seja pela forma como trata tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre a Filosofia tratou de temas selecionados, como os indicados acima. No começo, na Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX não havia uma separação entre ciência e filosofia. Assim, na Grécia, a Filosofia incorporava todo o saber. No entanto, a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos temas a que passa a se dedicar, determinando uma mudança na forma de conhecimento do mundo até então vigente. Isto pode ser verificado a partir de uma análise da assim considerada primeira proposição filosófica, enunciada por Tales, a saber, que a água é o princípio de todas as coisas [Aristóteles. Metafísica, I, 3].
A Filosofia representa, nessa perspectiva, a passagem do mito para o logos. No pensamento mítico, a natureza é possuída por forças anímicas. O homem, para dominar a natureza, apela a rituais apaziguadores. O homem, portanto, é uma vítima do processo, buscando dominar a natureza por um modo que não depende dele, já que esta é concebida como portadora de vontade. Por isso, essa passagem do mito à razão representa um passo emancipador, na medida em que libera o homem desse mundo mágico.
2. FILOSOFIA. PARA QUÊ?!
Esta é uma pergunta que freqüentemente se faz em relação à disciplina de Filosofia.
A pergunta, como formulada, pressupõe uma concepção utilitarista do mundo, isto é, algo ou alguém só tem valor à medida que possa ou não ser útil para alguma coisa. Não que a utilidade seja um mal em si. Não é isso. O problema está em se enfatizar apenas a utilidade de algo, no caso, da Filosofia.
É certo que tal visão utilitarista das coisas é própria da sociedade na qual vivemos. Em nossa sociedade, o que realmente importa é a utilidade de todos os seus elementos, materiais ou humanos.
O resultado deste modo de pensar e encarar a realidade é uma sociedade que valoriza as pessoas e as coisas pelo seu valor utilitário, ou seja, alguém ou alguma coisa só tem valor se pode ser útil para a sociedade.
Assim é fácil compreender por que o aposentado, de maneira geral, não tem mais valor, pois ele já perdeu sua capacidade de ser útil na produção. Da mesma forma, os portadores de deficiência mental não são importantes porque não são úteis à sociedade.
De maneira semelhante, a pessoa que faz a pergunta: Pra que Filosofia? Só consegue ver as “matérias” como sendo úteis ou não, quer dizer, se tal “matéria” vale nota, se cai no vestibular, se tem, enfim, alguma utilidade prática. Claro que tudo isso é importante, mas, não é o fundamental.
Penso que ao invés de se perguntar sobre a utilidade da Filosofia, se deveria questionar qual é a razão de se Ter Filosofia, isto é, ao invés de -Pra que Filosofia? - as pessoas deveriam perguntar – Por que Filosofia, pois esta pergunta, e não aquela outra, mostra os objetivos principais das aulas de Filosofia, que são: primeiro, ajudar a descobrir as habilidades cognitivas (capacidade de conhecer) que possuímos e normalmente não temos consciência delas; Segundo, oportunizar o exercício dessas habilidades de maneira que possamos desenvolvê-las; Terceiro, proporcionar momentos em que possamos ver como outras pessoas “trabalham” com suas habilidades cognitivas; Quarta, exercitar tais habilidades em comunidade; Quinto, adquirir outras tantas habilidades.
Concluindo, as aulas de Filosofia têm como objetivo principal ensinar abrir um espaço comunitário em que a pessoa possa ter um encontro consigo mesma, com sua capacidade de conhecimento, com suas habilidades de pensamento e raciocínio. Onde ela possa descobrir e desenvolver sua maneira de pensar e criar sua própria forma de argumentar. E isso com a vantagem de ser um aprendizado comunitário, o que por si, a confrontará com pessoas de pensamentos, habilidade, estruturas de raciocínio e argumentação diferentes da sua.
Finalmente, se nenhum desses argumentos são suficientes para justificar a Filosofia no Colégio Machado de Assis, e olha que ela não precisa se justificar pelo simples fato de ser o que é, então digo que a Filosofia na escola deve existir pelo simples e, não mais do que isso, PRAZER DE PENSAR.
Professor Ciro Luis Ceccato
Filosofia e Sociologia - Ensino Médio
Professor Atílio Vicente
Filosofia e Sociologia - 1º Ano do Ensino Médio |